Cansado da vida monótona que levava.
Cansado da situação precária do Ceart.
Cansado de ter que dividir seu espaço com ratos e ratazanas de tamanhos descomunais.
Cansado de ter que batalhar um petisco todo intervalo para aliviar a fome.
Cansado de ser enxotado e ignorado enquanto os outros ganhavam atenção.
Cansado de tentar parecer amigável, mesmo sendo o cachorro mais feio e desproporcional do lugar.
Cansado da libertinagem canina que rolava constantemente, depois que a Fernanda resolveu abrir suas asinhas por aí.
Estava cansado de suas pernas, de seu rabo, do seu fedor, de suas pulgas.
Jorge estava velho.
Em um momento de total epifania, Jorge acordou hoje com um único propósito. Ele precisava disso. Há anos ele não conseguia aceitar essa vida medíocre em um meio que não o desejava ali. Ele precisava respirar novos ares, correr em liberdade, vadiar nesse mundo cão e ser o dono de seu próprio focinho. Jorge abandonou o Ceart para ser um cachorro livre.
Em uma ação um tanto tardia, o bando de cães restantes saiu para as ruas à procura de Jorge (com exceção de Fabrício, que ficou só urubuzando sentado ali fora). Mas era tarde demais.
Depois de longos minutos de busca, o grupo voltou derrotado, sem notícias do udescão marrom.
Restam agora só dúvidas: Será que Jorge irá voltar? Será que acabará por aderir à vida sem limites? Será que irá morrer feliz? Será que um dia os ratos do Ceart irão se mudar para a Esag?
Isso só o tempo se encarregará de responder.
Acima vemos a foto do nosso intrépido aventureiro poucos segundos antes de atravessar a Madre Benvenuta, rumo à liberdade.
Esta história foi baseada em fatos reais.
UPDATE!
Resgatamos uma foto do nosso saudoso Jorge em um momento de pura descontração com sua amada, Fernanda, ou fêfê para os íntimos.

